Artigo de Saúde Pública®
Nº 91 / Maio de 2010
02 Perda de equilíbrio é uma das principais causas de quedas nos idosos- Dr. José Saraiva
- Dr. João marta Pimentel
Estima-se que, actualmente, 18% da população total portuguesa – um número que praticamente duplicou no espaço de quatro décadas – tenha mais de 65 anos. Se esta tendência continuar em crescendo, prevê-se que, até 2030, o número de idosos alcance os 24%. Com base nestes dados, a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial (SPORL) mostra-se preocupada com algumas
das afecções que aingem este grupo etário.
Até há bem pouco tempo, as queixas dos idosos eram «subvalorizadas», por se pensar que eram uma fatalidade da própria idade. Hoje, os otorrinolaringologistas estão mais atentos a alguns problemas específicos do envelhecimento: perda da audição e de equilíbrio, alterações do gosto ou do olfacto e a uma série de complicações nasossinusais.
Contudo, o tratamento destas complicações em indivíduos acima dos 65 anos inspira alguns cuidados, uma vez que, normalmente, «os idosos tendem a sofrer de várias patologias em simultâneo». Segundo o Dr. José Saraiva, secretário-geral da SPORL, as pessoas estão mais despertas para algumas destas problemáticas, razão pela qual procuram ajuda especializada.
A perda de audição, uma complicação que pode piorar com o passar dos anos, «contribui muito para as dificuldades de comunicação e potencia o isolamento familiar e social, podendo, até, conduzir a um quadro depressivo». No entanto, a solução está, muitas vezes, à distância de uma simples prótese auditiva. Embora, «em algumas situações, os doentes ainda mostrem alguma relutância em aceitar esta hipótese», aponta o especialista.
«As perturbações ligadas ao olfacto e ao paladar devem-se, sobretudo, a lesões da mucosa provocadas pelo abuso de medicações tópicas. Tratase de situações que prejudicam a qualidade de vida dos idosos, deixando os seniores mais vulneráveis a alguns perigos, como o de não se aperceberem do cheiro do fumo ou do gás», indica.
Com o avanço da idade, observa-se uma perda do controlo postural, motivo que conduz a alterações no equilíbrio (uma das principais causas de quedas na população idosa). Estima-se que 85% dos indivíduos acima dos 65 anos apresentem queixas de falta de equilíbrio. As quedas e os acidentes são considerados o expoente máximo desta afecção na população idosa e uma causa importante de morte no segmento etário acima dos 65 anos.
«Torna-se necessário combater a ideia de que muitas queixas do idoso são próprias da idade, procurando melhorar continuamente a qualidade de vida dos nossos doentes, quer com a implementação de tratamentos médicos, preventivos ou curativos, independentemente da faixa etária», conclui José Saraiva. Na perspectiva do Dr. João Marta Pimentel, presidente da SPORL, «o estudo e o tratamento do equilíbrio passaram a ter uma tecnologia mais apurada». A posturografia dinâmica computorizada provou ter «resultados muito positivos na correcção do equilíbrio dos idosos e jovens que sofrem deste problema».