Artigo de Saúde Pública®
Nº 91 / Maio de 2010
02 Tumores laringofaríngeos em Portugal- Prof. João Olias
Os tumores da laringe e da faringe têm uma alta incidência em Portugal, comparativamente com outros países do Norte da Europa, por exemplo, onde se registam metade dos valores.
Para a laringe, a incidência ronda os 17 mil casos por cada 100 mil habitantes, ou seja, cerca de 1700 tumores por ano.
Os principais factores de risco são o tabaco e o álcool, sendo que os dois em conjunto sofrem um efeito de potenciação.
A faixa etária em que surgem com mais frequência situa-se entre os 60 e 70 anos, o que denuncia, geralmente, um longo período de exposição aos agentes nocivos.
Efectivamente, o consumo de tabaco e de álcool, essencialmente as bebidas brancas espirituosas, acaba por originar uma inflamação crónica dos tecidos, podendo, em alguns casos, e por uma complexa sucessão de mecanismos, fazer com que células normais se modifiquem e se transformem em células tumorais.
É necessário e fundamental efectuar um diagnóstico precoce, uma vez que as percentagens de cura serão tanto maiores, quanto menor o estádio dos tumores.
Actualmente, os avanços nesta área verificam-se, sobretudo, na melhoria dos equipamentos de radioterapia, com uma cada vez maior precisão dos alvos e consequente evicção de danos nas estruturas vizinhas, e nos protocolos de tratamentos com o objectivo da conservação do órgão.
Existem diversos esquemas de quimioterapia, quer isolada, quer em combinação com radioterapia, em sequência ou concomitantemente, com vista a potenciar a eficácia do tratamento, mesmo tendo em conta o aumento inevitável e não-desprezível dos seus efeitos tóxicos. Sem aumento das taxas de sobrevida, cerca de 60% dos casos respondem ao tratamento de preservação de órgão, a laringe, sendo necessário recorrer à cirurgia nos casos de recidiva do carcinoma.
Por estes factos, o número de laringectomias totais tem vindo a diminuir bastante em todo o mundo sem que, no entanto, se interrompa a investigação por alguns grupos, na tentativa de minorar os efeitos da cirurgia ablativa, das possibilidades de reconstrução//substituição total da laringe.
Prof. João Olias
Otorrinolaringologista do Hospital da Luz, Lisboa